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Letters and words

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Praha (1)

Caro Leitor,


Aqui estou eu, acabadinha de regressar da viagem a Praga de 3 dias, cansada e com algumas peripécias para contar.
Mas, comecemos pelo princípio. O voo teve um atraso de 1h30 e por isso chegamos a Václav Havel à 1.30 da manhã. (DES)Esperamos pelo nosso transfer - com receio das consequência do atraso do voo - que não nos esperava à saída do aeroporto (como outros) e até ao hotel desesperamos com a pouca simpatia do condutor - algo frequente em Praga, na nossa experiência.

(Ao que parece o nosso condutor iria também buscar um casal de turistas que com receio que o seu transfer não esperasse, devido à  1h30 de atraso, terá telefonado ao hotel para lhe providenciarem um outro transfer. Assim sendo, o nosso condutor terá perdido o valor do transfer daquele casal e se já não inspirava muito confiança ou simpatia, muito menos quando se apercebeu que outro condutor esperava no aeroporto com um papel muito semelhante ao seu.)
A recetionista do hotel recebeu-nos perto das 2.30 com um "Finally!" que mais parecia uma ameaça de morte - exagero, mas só um pouquinho. Chek-in feito, aterramos na cama às 3h da manhã.

Sábado (sobota)
O despertar foi madrugador, por volta das 6h30, e às 7h30 estávamos a tomar o pequeno-almoço.
O primeiro dia de descoberta seria pela margem esquerda do rio Vltava. Apanhamos o metro até Malostranká e deliciamo-nos com a subida desde Lesser Town até ao complexo do castelo (uma outra opção seria apanhar o elétrico 22 e sair em Pražský hrad ou em Pohořelec). As vistas que a escadaria nos proporciona, tanto da cidade, como dos jardins (como os do palácio Valdsteinsky), do rio, ou das inúmeras cúpulas, são magnificas, dignas de um postal.

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Compramos o bilhete B - apesar de Janek recomendar que se visite o castelo sem comprar qualquer bilhete (A entrada no complexo é gratuita). DEFINITIVAMENTE não vale a pena as 250 coroas. O que inclui o bilhete B, pergunta o leitor? Entradas nos seguintes pontos durante 48 horas:
1. Velho Palácio Real (Old Royal Palace) - cujas salas a visitar podem contar-se pelos dedos de uma só mão e onde NÃO se pode tirar fotos. Não recomendo a visita.
2. Basílica de São Jorge - bonita por fora, ainda mais por dentro.
3. Catedral de São Vito - muito bonita por fora e por dentro; entra-se sem pagar, mas depois para a percorrê-la é necessário o bilhete. NOTA: o bilhete não dá para a torre da catedral. MAJOR BUMMER!

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4. Golden Lane (Zlata Ulicka) e a Torre Daliborka- A Golden Lane é grátis a partir das 17h.

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Curiosidades: Golden Lane terá sido criada para albergar os 24 guardiãos da fortificação, mas como o espaço era reduzido construiram-se casas de tamanho pequeno. Mais tarde, estas casas albergaram pessoas de outros ofícios e de diferentes estratos sociais. Até Kafka aí residiu durante um tempo na casa com o número 22.

A torre que na verdade era uma prisão deve o seu nome a Dalibor of Kozojedy, o primeiro prisioneiro que aguardava a sua morte nas masmorras da torre por ter dado guarida a rebeldes servos. Reza a lenda que aí o cavaleiro aprendeu a tocar violino e as músicas que tocava tocaram no coração do povo que, se já via nele um Robin dos Bosques Checo, mais agora se compadeciam com a sua situação e por isso lhe davam comida e bebida. Diz-se que ele era tão popular que as autoridades temiam anunciar a data da sua execução. Esta história deu origem a uma ópera do compositor checo Smetana. Há ainda uma outra versão que associa de modo diferente o violino ao prisioneiro: violino era um instrumento de tortura com buracos para a cabeça e as mãos, sendo que a "música" produzida por este "violino" era bem menos relaxante.
Depois descemos para visitar a Igreja de São Nicolau (igreja e torre - 70 cc) . As vistas são fantásticas e se não reconhecer o que vê na distância, como a Torre Petrin, o Mosteiro Strahov ou Vrtbovská zahrada, certamente terá a ajuda da senhora que por lá passeia - não, não é um fantasma, é mesmo a senhora que verifica os bilhetes. Da cúpula poderá comprovar a afluência da Ponte Carlos.

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Seguiu-se um almoço rápido num Macdonalds lá perto, com um bonito pátio interior, para uma curta caminhada até à Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa, grátis e onde se pode ver o Menino Jesus de Praga (muito pequenino por certo e na altura em que o visitamos envergava vestes vermelhas). Pelo caminho faz-se a tradicional romaria às lojas de souvenirs, para ver o que comprar. De seguida, o Monte Petrin. A ideia era encontrar a bonita Igreja ortodoxa do Arcanjo Miguel (chrám sv. archandela Michaela) antes de subirmos de teleférico, mas o mapa que tínhamos era pouco explícito, como se a sua localização fosse um segredo bem guardado, uma missão impossivél. Encontramos apenas o memorial às vitimas do comunismo. No último dia, olhando para um outro mapa, apercebi-me de que para ir até essa igreja  desativada bastava entrar no teleférico, sair na primeira paragem e caminhar um pouco). De qualquer maneira aqui está uma foto da igreja.

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Assim, apanhamos o teleférico (não sem antes esperar uns 15 minutos; a fila é para o teleférico e se não tiver bilhete - de metro ou de elétrico, entre para comprar nas máquinas e depois vá para a fila. A subida é gira, mas o teleférico vai cheio. Lá em cima, segunda paragem, o parque e jardins são muito agradáveis e, se tiver tempo, pode descansar como um habitante local. Subimos a Torre de observação Petrin - optamos pelo bilhete sem elevador (120 cc) pois os diferentes patamares proporcionam vistas fantásticas e é verdade que não há muitos turistas a optar por subir os degraus. A torre possui uma escadaria para subir e outra para descer, o que proporciona tempo e espaço suficiente para tirar umas quantas selfies, perdão, umas quantas fotos panorâmicas.

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Vá munido de trocos ou receberá um olhar pouco simpático na bilheteira.
De seguida, o plano era ir para o Mosteiro Strahov. O caminho é verde e fresco e não é longo. As vistas são mais uma vez fantásticas. Quando chegamos estava quase a fechar e optamos por não entrar para ver a biblioteca barroca. A experiência passada impediu-me de comprar um bilhete quando o tempo é escasso (Em Florença, esperei 1h30 na fila da Galeria Uffizi e por isso tive que me contentar com 20 minutos para percorrer o museu, 10 dos quais a tentar ver a Primavera de Botticelli).

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Descemos pela rua Úvoz - rua que vê na foto em baixo-  até Mála Strana e Kampa.

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 Irá encontrar inúmeras lojas de souvenirs, bem como lojas de artesanato checo.

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E sítios onde provar o famoso mas pouco checo Trdelnik.

Sem querer encontrei a livraria Shakespeare and Sons, mas o bom senso ditou que entrasse e saísse logo a seguir - a tentação era demasiado grande. Chegamos a um largo - Na Kampé - por baixo da ponte Carlos e decidimos, depois de uma fotos, embarcar num barco. Os marinheiros que nos vendem o bilhete encontram-se mesmo ali. O bilhete inclui um apanhado dos monumentos mais importantes nas margens do rio Vltava, um passeio de barquinho - com um marinheiro tipicamente checo, loiro e de olhos azuis, um belo e simpático exemplar checo, por sinal - e depois transfer para um barco um pouco maior, já com um marinheiro também um pouco mais velho, mas nem por isso menos loiro, com direito a uma bebida e gelado ou bolinho.

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Depois foi regressar ao hotel e jantar por perto. Desta vez num restaurante italiano Coloseum, mesmo em frente à estação I.P. Pavlova - recomenda-se! Ainda não ficariam para este dia as especialidades checas.